Pequenos Contos

•setembro 30, 2010 • Deixe um comentário

Pequeno início de conto I

Ele olhou pra ela e esqueceu de tudo que havia acontecido dois dias antes.
Ela olhou pra ele pedindo um perdão discreto.
Ele arrumou seu cabelo e lhe deu um beijo na bochecha.
Ela virou o rosto dele.

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Sutil

•junho 22, 2010 • 1 Comentário

Ele respirou fundo e abriu a porta, esperando o pior. Ele sempre esperava o pior nos primeiros contatos, como todos.

Ele: Confuso. Exibia suas cicatrizes com certo orgulho.

Falou um “oi” encabulado, passando rapidamente os olhos na sala. Seus olhos chocaram-se com o olhar surpreso dela.

Ela: Cabelos curtos, olhos e moletom verdes. Óculos pequenos, bem encaixados no rosto redondo e com imperfeições perfeitas. Era linda do seu próprio jeito.

Sentou-se encabulado por um contato tão profundo tão cedo: tinha medo de se expor demais, mas guardou uma foto daquele momento.

Algumas semanas depois não havia mais medo e a conversa acontecia naturalmente. Alguns meses depois o sentimento já existia e ia crescendo gradativamente, mesmo com os problemas que enfrentava no caminho.

Um dia algo de novo despertou-se e mudou algumas coisas entre eles. Outro dia isso ficou insuportávelmente claro e lindo, não cabendo dentro do peito e explodindo em sorrisos contidos (que dariam um texto só deles). Eles eram plenos.

Eles: Nunca houve uma conversa, uma definição. Houveram fotos, músicas e carinhos. Pernas e olhares. Mordidas.

Era o melhor acordo que podiam ter. O único possível. O que não dizia, mas era. Pleno. O que, de escrever, poderia escorregar e desaparecer no ar.

Soulmates Never Die

•junho 20, 2010 • Deixe um comentário

(texto lido em 18/06/10, na festa da minha irmã).

Nat,

Quando eu tinha 5 anos e falei “pai, quero um irmãozinho” nunca imaginei que hoje estaria aqui falando esse texto.

Eu queria um irmãozinho que eu pudesse roubar os brinquedos, brincar de brigar e jogar video-game. Mas eu não ganhei um irmãozinho, eu ganhei uma boneca, um anjinho de porcelana.

De porcelana pela beleza, mas que de frágil não tem nada.

Sempre me batia, mordia, beliscava e depois chorava falando “mãe olha o airo!” ou “ai ai airo!”.

Mas a gente sabe que essas brigas eram a forma que achávamos para mostrar nosso amor um pelo outro. Crianças não sabem falar “eu te amo”, mas conseguem mostrar isso de maneiras bem originais. As vezes até um pouco dolorosas.

Lembro que apesar de menina e mais nova, você sempre foi muito mais forte que eu, em todos os sentidos.

Como, por exemplo, quando eu estava no auge da crise existencial da adolescencia, chorando, você me abraçava e ficava em silêncio.
Um silêncio sabio de criança.
Ficava em silêncio pois não eram necessárias palavras: Você ali do meu lado me mostrava o que estava certo e o que estava errado. Me mostrava que caminho seguir e qual ficar longe. Me mostrava isso pelo amor, e não por palavras.

Engraçado que hoje você é uma mulher. E mesmo sendo uma mulher, mantém esse silêncio sabio de criança.

Nat, você pode não ser muito boa em matemática ou em ciências, mas você tem a melhor inteligência que alguém poderia ter: a inteligencia de manter-se criança, mesmo quando o mundo adulto tenta te afogar com muitas coisas ao mesmo tempo. Você mantém o olhar que consegue mostrar o erro sem deixar de dizer eu te amo. Você consegue olhar pra mim e saber exatamente o que eu estou sentindo e me falar “tudo bem, eu estou aqui”. Tudo isso sem palavras.

Eu acho que isso é muito mais do que um simples amor. É uma ligação de almas. Somos almas gêmeas no melhor sentido dessa palavra. E como diz uma de nossas muitas músicas: Almas gêmeas nunca morrem.

E para reforçar que eu estarei aqui sempre pra você, mesmo quando o mundo parecer completamente errado, e ainda fazendo uma homenagem aos tempos onde agente dizia eu te amo com uma pitadinha de dor, te dou um presente que vai estar para sempre comigo. E consequentemente com você.

Com certeza ele é menor do que os outros embrulhados naquela mesa, mas tem um tamanho gigante para mim e espero que signifique muito para você.

Soulmates Never Die

Soulmates Never Die

Estarei aqui para você. Nos momentos fáceis e difíceis. Como almas gêmeas devem ser.

Imersão

•março 23, 2010 • 1 Comentário

Despiu-se. Sabia que tinha que estar completamente nu para essa entrega.

Ritualisticamente foi até aquele armário forte e corroído por cupins e tirou alguns itens minuciosamente escolhidos – e os aceitou – pois sabia que não tinha mais volta.

Com as lágrimas escorrendo sem controle pelo seu rosto passou a corrente em volta de seu tornozelo direito e fechou, com um clique seco. Não tentava conter suas lágrimas pois sabia que eram essenciais para a entrega completa.

Fez força para pegar o peso do chão, não se preocupando com o esforço empregado pelos músculos – afinal, eles foram preparados para esse momento.

Parou na borda daquela piscina e tentou achar o fundo, mesmo sabendo ser inútil.

“Ah, teimosia! você tinha que vir se despedir, não é?”

Com essa frase ecoando em sua mente deu um ultimo sorriso dessa vida confusa. Respirou fundo e arremessou-se no abismo, abraçado ao peso, totalmente entregue e pronto para a queda infinita que o levaria para o lugar que ele sabia pertencer.

Uma das únicas certezas de sua vida sem sentido.

Arcanum.txt

•janeiro 5, 2010 • Deixe um comentário

Breve explicação desnecessária:

Esse é um texto baseado na obra “A Cartomante” de Machado de Assis. Ele foi feito como uma forma de pré-roteiro para o curta “Arcanum“, desenvolvido pela Rbell como Projeto Integrado do curso de Mídias Digitais.

Parte I

Acendeu um cigarro e deu um beijo nela. Pensou em como aquilo era arriscado e bonito enquanto enchia seus pulmões com fumaça.
Ela estava inquieta demais para estar pensando na mesma coisa, então ele perguntou o que havia, recebendo em troca uma resposta evasiva.
Depois de insistir, ela confessou que havia consultado uma cartomante. Ele riu, tentando em vão não ser grosseiro.
Na verdade também tinha muito medo de tudo aquilo, mas não desceria a tal ponto pra se sentir mais tranqüilo. Não recorreria a uma qualquer com cartas de desenhos coloridos, mesmo recebendo ameaças anônimas.

Pensou em silêncio e resolveu mostrar pra ela o que tirava seu sono há duas semanas. Jogou a foto na cama tentando parecer seguro, mas no fundo sabia que havia deixado um pouco de medo escapar no desvio do olhar. A frase “EU SEI DE TUDO” cortava a foto de um beijo como uma foice arrancava uma cabeça e fazia espirrar sangue desesperado pelas entranhas dos dois.
Ele pensou que ela estava sendo covarde preferindo ir embora, mas não fez questão de insistir para ela ficar. Não tinha mais forças.

Uma vibração lembrou que deveria ir embora. Abriu o celular e sentiu uma mão grosseira esmagando seu coração: “Quero você aqui às 20h. Não se atrase.

Ele deitou com dificuldade de respirar, pensando em todas as possíveis desculpas para não ir, esquecendo-se da hora. Não poderia faltar, o risco era grande demais. E ele não conseguiria lidar com mais uma perda.

Levantou, vestiu a calça e abotoou a camisa. Acendeu outro cigarro com a mão trêmula. Se fosse, deveria ir mais calmo. Talvez não fosse nada.

Apesar de absurda, teve uma idéia. Apagou o cigarro no cinzeiro e saiu, batendo a porta.

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O Circo já vai começar!

•dezembro 16, 2009 • 1 Comentário

Hoje, só depois de dois longos dias consegui forças para desfazer as malas.
Claro que não foi impune: Chorei novamente.

Chorei lembrando do ano, chorei lembrando do domingo.
Domingo eu não choro, domingo eu não sofro.

Chorei ouvindo a música e continuei a tirar, ritualisticamente, tudo da mala.
Cada peça de roupa carregava um aplauso e uma crítica. Cada fragmento de roupa, um sorriso.
Tirei uma pasta com uma lágrima e uma folha caiu.
Será que dará TEMPO?

TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO

Dará, está dando, já deu TEMPO!

Caiu lembrando do momento do fim em que a música tocou junto com as lágrimas. Um lampejo de dor in-aparável e lágrimas in-contíveis e incontáveis. Os abraços e as vozes faziam TANTO sentido que o choro aumentava e o desespero tomava conta dos músculos. O Sentimento era único em todos nós. Ainda é bonito de mais para poder traduzir em palavras.

Vagabundo esse tempo que não nos permite perpetuar o belo e ascendê-lo.
Mas o tempo é só a distância de um ponteiro ao outro, certo? É o som do espaço e não da alma!

Hoje choro sim, mas cresco. Sei que ainda não sei, mas ja sei e sinto muito mais que antes.

Tempo Vagabundo, te espero a cada segundo. Tomara que já seja no próximo.

Eu vi. Virei Estrela.

Playlist:

Domingo
“O Nosso Tempo”
Estrela
Quando
Tempo Vagabundo em A

2,5

•junho 9, 2009 • 1 Comentário

Ele não conseguia entender o motivo de tudo aquilo.
Eles pareciam um ótimo casal.

Ele não a sufocava.
Ela não ligava para o sexo ruim.

Ele sempre pensou ter o controle da situação, dizendo para ela o que fazer quando ela parecia perdida.
Ela sabia que ele não era nada além do máximo que ela conseguiria anos atrás. 

Ele não tinha necessidade de coisas novas.
Ela buscava a intensidade em tudo.

Ele não se preocupava com a aparência. Não precisava se cuidar pra ela.
Ela estava cansada da rotina e dos amigos em comum.

Ele casaria com ela por conforto.
Ela foi buscar aventuras fora dali.

Ele não se preocupava com a traição, sabia que ela não faria isso.
Ela o traiu 2 vezes. Mas sempre foi fiel ao sentimento dele.
Até aquele dia.

 À propósito, aquele garoto prepotente saiu de onde?

Ele ficou arrasado quando ela o informou do fim evidente.
Ela procurava algo que ele nunca pode oferecer: Paixão. 

Não por ela, por tudo.
Ela buscava alguém que ouvisse uma música e sentisse que seu coração fosse explodir.
Ela buscava alguém que se apaixonasse todo dia por uma foto ou uma pessoa que estivesse longe.
Ela buscava alguém que não soubesse o que é o amor, mas que buscasse por isso em todos os segundos de sua vida.

Ele não entendia o que tudo isso significava.

Ela está bem mais feliz sem ele.
Ele está igual sempre: Vivendo a infelicidade. Só um pouco mais triste.