Sobre Espontaneidade

Um ídolo:
Alto e magro, geralmente com uma camiseta engraçada. Óculos extravagante e uma risada característica. Humor ácido e onipresente.

É estranho todas as pessoas que eu considero ídolos serem de carne e osso e sorrisos simpáticos de bom dia, e não aqueles grossos que se escondem atrás de um livro ou uma música e nunca fazem uma piadinha sem graça pra você quando você acorda do lado contrário da cama e vai trabalhar emburrado.

Tive o prazer de conhecer um desses meus ídolos quando estagiei em uma agência. Ele era meu chefe e a pessoa que mais iluminava aquele lugar que não tinha ar condicionado. Era o tipo da pessoa que você inveja por estar sempre de bom humor e sorrindo. Nas poucas vezes que eu o vi preocupado com algum prazo ou com o render que não funcionava ele ainda conseguia sorrir e fazer uma piadinha sobre uma das muitas músicas estranhas (e ótimas!) que ele escutava. Estava sempre focado, mas com pelo menos +3 abas de conteúdos variados abertas no navegador. Sorria pra você e perguntava – realmente querendo saber – se você estava bem. E se você resolvesse mentir dizendo que sim ele logo arrastava a cadeira até sua mesa e insistia na pergunta até você dizer o que te afligia naquele dia.

Em um dia memorável, a entrada da minha linda cidade alagou e eu fui pra casa dele jogar videogame, beber cerveja e ter conversas sobre coisas supérfluas e que traduzem a alma e dá sentido à nossa vida. Dormi no sofá, com o celular marcado para despertar 10 minutos antes do horário de ir trabalhar. Acordei, comi um bolinho de queijo gelado e coloquei o tênis para ir ao trabalho. Ao levantar vi em cima de uma cadeira uma das camisetar engraçadas dobradas com um bilhete em cima: dizia basicamente “não queremos que você vá trabalhar parecendo um mendigo, certo? Certo. Então peguei minha maior camiseta, espero que sirva. Até daqui a pouco no trabalho!”. Nem preciso dizer que guardo esse bilhete até hoje.

Bom, nessa semana em que ele completa 24 primaveras eu me senti na obrigação de escrever isso e dizer que ele é um dos meus maiores exemplos. Digo em claro e bom som para todos que estão dispostos a ouvir que se pudesse ser outra pessoa, seria ele. Quando estou de mau humor penso em como ele me saudaria ao chegar ao trabalho e tento sorrir. Em momentos delicados penso o que ele faria e sempre tento agir com o maior carinho possível.

Pra terminar, deixo meus parabéns: Apesar de não nos vermos mais todo dia, te mantenho na minha vida sempre que acordo para tentar fazer um dia ser melhor que o anterior.

~ por airomunhoz em fevereiro 3, 2011.

3 Respostas to “Sobre Espontaneidade”

  1. […] o Airo escreveu um texto muito bonitinho sobre metade das coisas que eu queria te dizer. (Não só porque é seu […]

  2. Oh Deus, Airo. Obrigado. Obrigado mesmo!!! Me levou às lágrimas com o mais largo sorriso no rosto.

    Você é incrível, é uma grande honra receber suas palavras, uma honra gigantesca mesmo. Agradeço por tudo e sempre agradecerei!!

  3. […] This post was mentioned on Twitter by Demétrius Daffara, Lighia Souza. Lighia Souza said: RT @dmtr: :'))))) RT @airomunhoz: Não sei se já está publicado, maaas: meu texto pro @dmtr http://goo.gl/NCjky […]

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