Um ano, uma vida e um avesso.

Um ano e uma vida inteira pelo avesso.
(2010, o ano em que eu virei do avesso tantas vezes que nem sei mais quem eu sou.)

Principia ano, principia uma nova proposta e, por que não dizer, principia uma nova vida? Disposição para aprender com os erros e tornar o 10 em 9 mais um.  Mas nunca é como imaginamos…a vida tem a capacidade de pegar sua proposta de ano e destruir todas suas entradas, saídas e bandeiras.

Em um ano turbulento a vida virou do avesso mais vezes do que se imaginava possível, tornando a frase motriz para a pesquisa, dita nas primeiras horas, mais do que palavras: “Quem castiga nem é Deus, é os avessos.”

Castigos, lições e punhaladas no peito tiram seu chão e você nem percebe. Quando vê, não sabe mais quem é, nem quem ama, nem porque ama e nem o que é amar. Não sabe mais qual é o sistema de vida e morte e as toalhas de fim de semana estão todas rasgadas. Os conceitos de como mudar o mundo de cereja em cereja falham bem onde mais te fere: no peito transparente. E o coração te vira do avesso de tantas maneiras que toda a esperança é perdida.

A vida e o próprio amor vacilam e do labirinto não há mais saida que a neve.

Esse estado é tão avesso que não é possível ser traduzido em palavras. Nem após um dia cinza e uma noite salgada de lágrimas.

As lágrimas e a vida que foram esse 10 serviram para colocar mais fundo na pele uma certeza e determinação de que nunca se deve querer algo que não é libertação. Nem lirismo, nem palavras, nem o café de cada manhã.  “E se alguém duvida peço a quem corresponda que examine minha vontade e o peito transparente.”

Queria com todas as forças anunciar que disponho de cerejas escondidas, mas não posso. E é também impossivel concluir um texto que tem como proposta resumir o jogo triste que foi esse ano. Ano que virou todos os sentimentos do avesso e me fez não mais saber como é ter a eterna inocência de andar sobre os próprios pés sobre o elemento chão.

Prepotente, quero sempre cuspir sobre o chão e receber algo de volta da Terra, mas nunca esquecendo dessa bagagem avessa, eterna e infinita para esse mundo que tranforma nossa vida em uma maré que sempre nos leva para as águas do equívoco.

 

~ por airomunhoz em dezembro 14, 2010.

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