Sutil

Ele respirou fundo e abriu a porta, esperando o pior. Ele sempre esperava o pior nos primeiros contatos, como todos.

Ele: Confuso. Exibia suas cicatrizes com certo orgulho.

Falou um “oi” encabulado, passando rapidamente os olhos na sala. Seus olhos chocaram-se com o olhar surpreso dela.

Ela: Cabelos curtos, olhos e moletom verdes. Óculos pequenos, bem encaixados no rosto redondo e com imperfeições perfeitas. Era linda do seu próprio jeito.

Sentou-se encabulado por um contato tão profundo tão cedo: tinha medo de se expor demais, mas guardou uma foto daquele momento.

Algumas semanas depois não havia mais medo e a conversa acontecia naturalmente. Alguns meses depois o sentimento já existia e ia crescendo gradativamente, mesmo com os problemas que enfrentava no caminho.

Um dia algo de novo despertou-se e mudou algumas coisas entre eles. Outro dia isso ficou insuportávelmente claro e lindo, não cabendo dentro do peito e explodindo em sorrisos contidos (que dariam um texto só deles). Eles eram plenos.

Eles: Nunca houve uma conversa, uma definição. Houveram fotos, músicas e carinhos. Pernas e olhares. Mordidas.

Era o melhor acordo que podiam ter. O único possível. O que não dizia, mas era. Pleno. O que, de escrever, poderia escorregar e desaparecer no ar.

~ por airomunhoz em junho 22, 2010.

Uma resposta to “Sutil”

  1. E ai airo! Muito bom!
    Fazia tempo que não passava aqui para dar uma lida.
    Ta escrevendo bem daora.
    Vou tentar acompanhar mais frequentemente ^^ !
    Continue assim!

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