Verde

Respirou fundo e tocou a mão dela.

Sentiu seus dedos nervosos em contato com a pele mais macia que qualquer luz já havia refletido.

Ela estava surpreendentemente incrível. Muito diferente de como ele a considerava cinco anos atrás, naquele lugar que parecia estar preso dentro de uma fita-cassete embolorada.

– Você não ficou brava com o que aconteceu da ultima vez…ficou?

– Não, claro que não. Esse tipo de coisa acontece.

– Acho que acontece de vez em quando.

– É…

Ele havia ensaiado o restante da conversa por semanas demais para falhar. Respirou novamente e tomou um gole de água.

– Acontece de vez em… Quando?

– Acontece só uma vez, A.

Ela estava certa demais pra fazer sentido.
Ele entrou em desespero. Tentava desesperadamente achar qualquer palavra amarrotada que ela tinha acabado de espalhar descuidadamente pelo carpete.

– Certo…

– Depois que nos beijamos foi muito estranho. Quero dizer… foi bom e tudo mais, mas foi estranho, sabe? Agente é amigo há muito tempo…

Tempo suficiente pra ele se apaixonar perdidamente por ela,  ele pensou.
Mas claro que pra ela não fazia sentido. Pra ninguém fazia.

– Eu entendo…

– Sabe…seu problema é que você se aproxima demais das pessoas. Fica amigo de mais, entende?

Não, ele não entendia. Como isso poderia ser, de qualquer forma, ruim?

Ele estremeceu e afastou a mão de perto da dela, apertou os dedos e descruzou as pernas, levantando rapidamente.

Ela olhou nos olhos dele por uma ínfima eternidade e desviou o olhar.

Ele precisava achar algo para falar, precisava respirar, precisava de um cigarro.

– Entendo.

– Aproveita sua vida, ta?

Ele tentou se convencer que ela só queria ser legal e simpática. Ele confundira tudo, só podia ser. Aquele beijo, naquele dia, foi uma coisa de momento. Ela não era nada além de uma boa e antiga amiga. Ela não podia ser…

– Pode ser com você?

~ por airomunhoz em abril 13, 2009.

2 Respostas to “Verde”

  1. mato a pau

  2. Iaiá, se eu peco é na vontade
    de ter um amor de verdade.
    Pois é que assim, em ti, eu me atirei
    e fui te encontrar
    pra ver que eu me enganei.

    Depois de ter vivido o óbvio utópico
    te beijar
    e de ter brincado sobre a sinceridade
    e dizer quase tudo quanto fosse natural
    Eu fui praí te ver, te dizer:

    Deixa ser.
    Como será quando a gente se encontrar ?
    No pé, o céu de um parque a nos testemunhar.
    Deixa ser como será!
    Eu vou sem me preocupar.
    E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar.

    De perto eu não quis ver
    que toda a anunciação era vã.
    Fui saber tão longe
    mesmo você viu antes de mim
    que eu te olhando via uma outra mulher.
    E agora o que sobrou:
    Um filme no close pro fim.

    Num retrato-falado eu fichado
    exposto em diagnóstico.
    Especialistas analisam e sentenciam:
    Oh, não!

    Deixa ser como será.
    Tudo posto em seu lugar.
    Então tentar prever serviu pra eu me enganar.

    Deixa ser.
    Como será.
    Eu já posto em meu lugar
    Num continente ao revés,
    em preto e branco, em hotéis.
    Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê.

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